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 ©SusanaNeves/TNSJ
Artigo
Publicado em 4/11/2014 por Renata Silva

"Não é uma box, é a vida". É uma das frases que se pode ouvir na peça "Biodegradáveis" que estreia esta quinta-feira, no Teatro Carlos Alberto no Porto. Está relacionada, entre outros assuntos ligados à ciência, com o testamento vital, e foi apresentada hoje aos jornalistas.

O cancro da mama é outro tema de destaque. Em cena, está Catarina, desafiada por uma médica a fazer uma mastectomia, na sequência da probabilidade de 68% de vir a ter esta doença. Os realizadores apostaram na ironia para tratar estes assuntos. Perante a indecisão da paciente, a profissional de saúde diz-lhe que tem de decidir nesse mesmo dia, pois há uma promoção de 60% de desconto em todas as mastectomias preventivas.

"A mastectomia preventiva acabou por expandir as possibilidades de negócio associadas à medicina", contextualiza Carlos Costa, um dos realizadores, em declarações aos jornalistas. "Os clientes passam a ser quase todas as pessoas, mesmo que a pessoa não esteja doente, sente-se como doente", acrescenta. Vários dilemas e questões éticas são abordadas nesta peça que contou com a colaboração de cientistas do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e do grupo de investigação 3B's (Biomaterials, Biodegradables and Biomimetics) da Universidade do Minho.

Os investigadores abriram durante meses as portas aos realizadores desta criação artística. "Os cientistas ajudaram-nos imenso com a pesquisa sobre estes temas", revela Ana Vitorino, também responsável pela peça. Carlos Costa explica que se tratou de um trabalho de pesquisa longo. "Pudemos acompanhar os trabalhos que estavam a ser feitos e também as angústias, as inquietações, os desejos e os planos dos cientistas", sublinhou. Este convívio serviu de inspiração científica, mas também para encontrarem alguns pontos em comum, como as muitas "dúvidas e incertezas" inerentes às descobertas científicas, em comparação com a dúvida sobre o "agarrar"c do tema, diz Ana Vitorino.

O objetivo da peça, segundo os autores, é precisamente atrair o público, colocando-o a rir, mas "percebendo que se tratam de temas bastante sérios". "Faz o espectador estar atento ao assunto de um outro modo", diz.

Investigadores curiosos para ver o resultado final da peça

Em declarações ao Ciência 2.0, alguns dos cientistas envolvidos na pesquisa científica para esta peça, revelaram estar curiosos quanto ao resultado final. O balanço da colaboração é também positivo. "Fornecemos uma série de materiais sobre a regeneração de tecidos e órgãos. Foi uma experiência diferente e muito interessante de colaboração entre grupos de investigação e de criação artística e espero que resulte em algo muito apelativo para o público em geral", refere Rui Reis, diretor do 3B's. Já Paula Soares, do IPATIMUP, refere que se tratou de uma troca de impressões sobre a globalidade do trabalho dos cientistas "muito interessante".

Sobre as expetativas do público, Ana Vitorino, lança o que foi uma opção deliberada para esta peça: "As pessoas vão chegar a pensar que vão ver o trabalho dos cientistas ilustrado, mas não ilustramos de modo algum. Queremos desfazer a ideia do cientista que está fechado no laboratório, colocando mais seriedade nas situações em que não há cientistas".

Os atores realçam que este tipo de peças ajuda a aproximar o público da ciência. "Biodegradáveis", integrado numa ideia do projeto "Biométricos" iniciado no primeiro semestre deste ano, aborda temas diversos como a ciência, o ser humano, os limites da ciência, o negócio da saúde e a doença. Vai estar em cena no Teatro Carlos Alberto no Porto a partir desta quinta-feira até ao dia 16 de novembro.

Foto: Susana Neves/TNSJ 

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