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Artigo
Publicado em 4/12/2014 por Renata Silva
Há duas marcas de acessórios de pulseiras de elásticos referenciadas esta semana pela Associação de Defesa do Consumidor (DECO) como sendo perigosas, devido aos níveis de ftalato e de cádmio que contêm acima do permitido. A associação pediu que fossem retiradas do mercado. O Ciência 2.0 falou com especialistas na área da química para perceber os malefícios que podem ter os componentes destas pulseiras.  
 
“Uma marca contém 440 vezes mais ftalatos que o normal. Tem 44% e o limite é de 0,1%”, revela um comunicado da instituição. “O perigo dos ésteres ftálicos, usados na produção de materiais plásticos, são o facto de serem acumulados pelos organismos vivos”, começa por explicar Cosme Moura, docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).
 
Esta concentração aumenta com o tempo a que as pessoas estão expostas a estas substâncias. “A assimilação pode ocorrer por ingestão, inalação e contacto com a pele e, em particular, com o interior da boca”, acrescenta o especialista. Como são acumulados e não são eliminados pelo organismo, os ftalatos podem causar problemas a longo prazo. “São sobretudo perigosos os artigos que são destinados a crianças pequenas e, por isso, os níveis estão limitados a 0,1%”, justifica a instituição. 
 
A presença de metais como o níquel e o cádmio nestes acessórios estão geralmente associados a pigmentos utilizados nos materiais de plástico. O cádmio está presente em níveis mais elevados nas peças da marcas de acessórios  Loom Charms, da marca D.I.Y e também da Colorful Loom Bands, da Baiqi. Trata-se de uma substância carcinogénica, assim como o níquel, e “exposições prolongadas podem levar a doença renal, enfraquecimento dos ossos e danos nos pulmões”, segundo informa o comunicado da DECO.
 
Cosme Moura adianta também que as concentrações de níquel podem chegar ao “ponto de potenciarem algumas disfunções que se manifestam como reações alérgicas ao nível das vias respiratórias”. O níquel é também um metal que tem um elevado poder alergénico, especialmente quando contacta com a pele. Algumas partes metálicas das peças destas marcas libertam grandes concentrações desta substância.
 
Questões de segurança química e de toxicidade que dependem de vários fatores
 
Nos casos analisados pela DECO, a atitude de “prevenção”, dizem os especialistas, é compreensível. O que está em causa é a segurança química que “só é comprometida”, diz Cosme Moura, “quando não se respeita as normas de fabrico, de manipulação e quando se faz uso indevido do material para o qual ele não foi fabricado”.
 
João Paiva, também docente da FCUP, assinala que a toxicidade química vai depender da dose. Para além desse fator, há outros que os especialistas na área da química ressalvam quanto ao contacto com estas pulseiras: “há uma diferença entre uma situação de mero contacto com a parte externa da pele ou contacto com tecidos interiores, resultantes, por exemplo, de um ferimento prévio por fricção do metal com a pele, o que neste caso aumenta o perigo”. O tempo de exposição aos materiais é também uma variável a considerar.
 
Os docentes realçam que existem alternativas no mercado com vários materiais de plástico com teores em metais pesados e em ésteres ftálicos abaixo dos valores recomendados. “A história diz-nos que devemos usar acessórios fabricados em materiais nobres como a prata, ouro ou platina, mais em particular, plásticos mais inócuos à base destes materiais”, refere João Paiva, acrescentando que o preço a pagar seria mais elevado. 
 
As questões ligadas à toxicidade dos materiais presentes nas pulseiras surgiram com um estudo no Reino Unido. Até ao momento, nem a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), nem a DECO, receberam qualquer queixa da parte dos consumidores. Apesar disso a ASAE recomenda aos pais que verifiquem se as embalagens têm a indicação CE, relativa a Comunidade Europeia. 
 
Tendo por base o estudo britânico, a DECO analisou 10 marcas de pulseiras de elásticos, sendo que apenas duas chumbaram no teste. As restantes não apresentam problemas de segurança química. 
 
 
 

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