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©flickr/University of Michigan School of Natural Resources & Environment
Artigo
Publicado em 11/12/2014 por Joana Gonçalves

A Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO) distinguiu dois investigadores portugueses com o Prémio de Instalação da EMBO, de 50 mil euros anuais, atribuído em conjunto com a Fundação para a Ciência e Tecnologia. Os projetos premiados focam as áreas da formação de metástases e da obesidade.

Nuno Morais, investigador no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, usa a biologia computacional para estudar a forma como alterações de splicing alternativo – processo pelo qual cada gene pode originar várias mensagens e proteínas distintas – estão associadas ao cancro e, particularmente, à formação de metástases.

Com esta investigação, Nuno Morais pretende identificar novos marcadores moleculares que permitam prever qual o potencial de um tumor em gerar metástases e o órgão onde é mais provável que elas apareçam.

"Se este processo de splicing correr mal, a mensagem que vai chegar à máquina molecular que produz as proteínas é errada, o que dá origem a proteínas com defeitos. Sabe-se que este mecanismo ocorre em casos de cancro e pretendo estudar as consequências biológicas das falhas de splicing nessa situação", explica em entrevista ao Ciência 2.0.

Outra vantagem do trabalho prende-se com o desenvolvimento de novas terapias. Ao conseguir perceber quais os mecanismos moleculares que estão adulterados no cancro, Nuno Morais estará também "a contribuir para o desenvolvimento de terapias personalizadas que procurem corrigir estes processos", indica.

"Existem áreas no cérebro que nos dão a sensação de prazer ao consumir açúcar"

Ana Domingos, do Instituto Gulbenkian de Ciência, está focada em perceber o funcionamento da obesidade. A investigadora descobriu que está associado à área do cérebro que controla o apetite um sistema de recompensa do consumo de açúcar. Ao ingerir-se a sustância, os neurónios nessa área ficam mais ativos, ou seja, a pessoa necessita de cada vez mais açúcar como forma de encontrar "a recompensa". É a atividade de células nessa área, designadas por neurónios MCH, que a investigadora pretende estudar de forma a dissecar os circuitos neuronais que reconhecem o prazer do açúcar.

Para os cientistas, o montante disponiblizado com a atribuição do prémio é fundamental para que as investigações continuem. "O financiamento para ciência, nos tempos que correm, é incerto, e a bolsa garante alguma dependência e estabilidade nos próximos três anos no sentido de obter meios para fazer a investigação que pretendo", indica Nuno Morais.

Outro aspeto que salientam prende-se com o prestígio associado ao prémio e à possibilidade de passarem a fazer parte de uma rede de jovens investigadores europeus, potencializada pela EMBO. Os investigadores passarão a "ter acesso a reuniões científicas anuais com outros investigadores e oportunidade de participar em determinados cursos de gestão de laboratórios, por exemplo", acrescenta.

As bolsas de instalação da EMBO são atribuídas a jovens investigadores para estabelecerem os respetivos laboratórios de investigação em países onde a ciência está em desenvolvimento. Este ano foram atribuídas oito EMBO Installation Grants em quatro países europeus: Portugal, Polónia, República Checa e Turquia.

 

Foto: ©flickr/University of Michigan School of Natural Resources & Environment

 

 

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