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flickr/Davi Ozolin
Artigo
Publicado em 9/1/2015 por Joana Gonçalves

Um estudo publicado hoje na revista “The Lancet” conclui que o número de suicídios nos mais novos pode ser reduzido em 50%. Os especialistas criaram um projeto educacional que potencializa o reconhecimento de problemas de saúde mental e fornece estratégias para enfrentar situações que poderiam levar ao termo da própria vida.

“Até agora pouco se sabia sobre a eficácia de programas de prevenção de suicídio para os adolescentes”, indica em entrevista ao Ciência 2.0 Vladimir Carli, um dos responsáveis pela investigação do Karolinska Institutet, na Suécia.

O trabalho envolveu 11 mil alunos pertencentes a 168 escolas da União Europeia. Aleatoriamente, os responsáveis pelo estudo agruparam as instituições em três grupos, com o objetivo de testar qual o procedimento mais eficaz na diminuição dos suicídios.

No primeiro grupo aplicaram um método americano em que professores e outros funcionários da escola são treinados para reconhecer sinais de tendências suicidas e motivar os jovens na procura de ajuda.

O segundo consistiu num teste de rastreio em sala de aula, feito por psiquiatras e psicólogos, com vista a identificar os alunos com patologias mentais e encaminhá-los para tratamento.

Um terceiro grupo participou num programa de sensibilização desenvolvido pelos especialistas responsáveis pelo estudo. Neste, os adolescentes aprenderam a reconhecer sinais de problemas de saúde mental através de workshops, cartazes, brochuras e dramatizações.

Programa em meio escolar aposta na formação para evitar tendências suicidas

Os jovens tiveram também contacto com estratégias para enfrentar situações difíceis que podem levar a comportamentos suicidas. O programa educacional durou cinco horas ao longo de quatro semanas.

A investigação concluiu que os alunos alvo desta metodologia apresentaram metade das tendências suicidas em comparação com os outros dois grupos, ao fim de um ano. Isto porque “os adolescentes passaram a ser capazes de reconhecer eventuais problemas de saúde mental em si e nos amigos, o que aumenta a probabilidade de pedidos de ajuda”, explicou Vladimir Carli.

O próximo passo será replicar estas descobertas em diferentes populações de adolescentes, bem como “criar formas alternativas de intervenção, por exemplo com o desenvolvimento de um aplicativo móvel, para testar as capacidades adquiridas no programa através de um jogo”, aponta o especialista.
 
Em declarações ao Ciência 2.0, Daniel Sampaio, diretor do serviço de psiquiatria do hospital de Sta. Maria, salienta a importância dos programas em meio escolar como forma de reduzir o suicídio infantil. O médico dá exemplos de organismos que intervêm nas escolas, como é o caso do “Núcleo de Estudos do Suicídio”, em Lisboa, e do programa “+Contigo”, em Coimbra.

Dados do Instituto Nacional de Estatística, presentes no Plano Nacional de Prevenção do Suicído 2013/2017, revelam que o suicídio é a 2ª maior causa de morte nos jovens dos 15 aos 19 anos, à escala mundial.

 

Foto:flickr/Davi Ozolin

 

 

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