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Publicado em 17/7/2012 por Renata Silva

Conceição e Pedro batalharam para ter um filho. Em Portugal, há 120 mil casais em idade reprodutora que sofrem de infertilidade, segundo um estudo de 2009, de João Luís Silva Carvalho e da investigadora Ana Santos. Existem várias causas para este problema e tratamentos possíveis. O Ciência 2.0 dá-lhe a conhecer de forma mais aprofundada este tema a partir de uma história de sucesso. 

Corria o ano de 2002 quando viram que havia um problema. Depois de muitos exames, o diagnóstico estava feito. Mas existia uma solução. 

De acordo com João Luís Silva Carvalho, presidente do Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), um casal é considerado infértil quando está há um ano a ter relações sexuais sem qualquer tipo de contraceção, não conseguindo a gravidez. Uma definição que não é estrita, pois há casos em que o diagnóstico de infertilidade é imediato: quando a mulher não tem ovulações ou quando não há espermatozoides, isto é, em situações de azoospermia. "Este problema de saúde é um pouco mais prevalente na mulher do que no homem", adianta. 

São várias as causas por detrás da infertilidade. Relembramos que, no estudo feito em 2009 [ver recursos], uma significativa percentagem dos inquiridos associava os problemas de fertilidade a conceitos e comportamentos que em nada estavam relacionados, como Deus, a sorte ou o destino.

Os inimigos da fertilidade

O que significa que existe pouco conhecimento sobre o que está relacionado com este tema. “No caso da mulher, podem provocar infertilidade as doenças endócrinas, ligadas ao hipotálamo, à hipófise ou à tiroide, doenças que envolvem os ovários ou problemas relacionados com eles como por exemplo a ovulação de má qualidade ou a não existência de ovulação”, esclarece ao Ciência 2.0, João Silva Carvalho. Para além destes dois tipos de problemas, sublinham-se ainda como possíveis causas as doenças do útero, como as malformações congénitas, tumores ou pólipos, infeções que atingem as trompas, o útero ou os ovários e a endometriose, uma doença muito prevalente na mulher e que se caracteriza pela existência de células endométricas, pertencentes ao útero, fora dele.

Já em relação ao homem estão relacionadas todas as doenças que alterem a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides. “A motilidade é a capacidade de os espermatozoides se moverem e progredirem de uma forma linear para alcançar o óvulo”, explica o especialista. “Já a morfologia são as malformações que o espermatozoide pode ter a nível da cabeça ou da cauda”, acrescenta. Neste caso, percebe-se se há algo de errado nestes parâmetros através de um espermograma, onde são avaliados os espermatozoides. Pedro foi submetido a este exame. Os espermatozoides apresentavam pouca motilidade e malformações.

Contudo, existem causas comuns a um casal e que podem provocar infertilidade, como o são, o tabaco, o álcool, o consumo de drogas, o stress, o tipo de alimentação, entre outros. “Atualmente ninguém come um grama de carne, de vaca ou de frango, cuja vaca ou o frango não tenham sido alimentados com hormonas e antibióticos e isso vai mexer com o nosso sistema endócrino e não só, e vai ter reflexos, na mulher ao nível dos ovários e no homem ao nível dos espermatozoides, nos parâmetros da quantidade, motilidade e morfologia”, exemplifica o docente.

Também o índice de massa corporal, se a pessoa for demasiado gorda ou demasiado magra, tem uma ligação com a infertilidade, segundo o especialista, que diz ser um fator “de influência na fisiologia do sistema reprodutor”.

Existem várias formas de tratamento da infertilidade, sendo que estas são aplicadas caso a caso. Em Portugal, segundo dados do estudo de João Silva Carvalho e Ana Santos, a maioria dos casais inférteis vê o seu problema resolvido, recorrendo a medicamentos e a cirurgia. [ver recursos]

Os fármacos com o objetivo de tratar uma doença ou para estimular a produção de óvulos, nos casos em que há pouca ou nenhuma produção, são uma das vias possíveis.

Uma questão de probabilidades

Segundo o docente, a probabilidade de engravidar, ao mês, de uma mulher fértil é de 20 a 25 por cento. Já em alguém que sofra deste problema de saúde é de 5 por cento. O que os tratamentos fazem é aumentar estas hipóteses.

Tanto na área cirúrgica, como na área da procriação medicamente assistida, um outro método, têm havido grandes avanços. A cirurgia destina-se, sobretudo, à remoção e tratamento de tumores, pólipos, malformações congénitas ou a endometriose.

A procriação medicamente assistida divide-se em três tipos e “no geral está indicada para quando não se consegue resolver o problema recorrendo às formas anteriores”, salienta o especialista. O casal pode então realizar um destes tratamentos: Inseminação Intra Uterina (IIU) (ou inseminação artificial), a Fecundação (ou fertilização) In Vitro (FIV) e a microinjeção intracitoplasmática dos espermatozoides (ICSI). [ouvir som nos recursos]

Conceição foi submetida em 2002 a uma microinjeção intracitoplasmática dos espermatozoides. Como os espermatozoides tinham pouca motilidade, a fecundação teve de ser feita em laboratório. "Foram nove dias a receber injeções de hormonas para estimular o amadurecimento dos óvulos", conta-nos. No final, recolheram alguns óvulos que fecundaram com espermatozoides selecionados por um biólogo. No útero colocaram-se dois embriões. Após quinze dias de repouso, realizou-se uma análise ao sangue que confirmou a gravidez. 

A nível de taxa de sucesso, qualquer um destes tipos de terapia, oferece apenas uma probabilidade de 30 por cento, de acordo com Henrique de Almeida, também docente da FMUP e que fez alguma investigação sobre o tema. “Falta investigar e saber mais para aumentar este número”, salienta.

Aos casais com problemas em conceber um filho, os especialistas consideram que o melhor é recorrerem a um ginecologista, que poderá avaliar a situação e se existe algo de errado.

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AFRODITE.pdf

Conclusões estudo "AFRODITE" de João Luís Silva Carvalho e Ana Santos (2009)

João Silva Carvalho

Como se avaliam os espermatozóides em laboratório?

João Silva Carvalho

Para o que é indicado cada tipo de tratamento?

João Silva Carvalho

Quais as probabilidades de sucesso dos tratamentos por Procriação Medicamente Assistida?

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