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Artigo
Publicado em 11/3/2013 por Renata Silva

Também se denomina como "icto". Será que sabemos tudo sobre ele? É importante saber que a rapidez é uma das palavras-chave e porquê. O que acontece no nosso corpo quando temos um AVC? O Ciência 2.0 aprofunda este problema.

Artérias e neurónios. Estão entre os protagonistas de uma história que pode ser de terror, se a ajuda tardar a chegar. 

Se sentiu a boca ao lado, falta de força num braço ou uma alteração na fala que aconteceram e desapareceram de um momento para o outro é porque acabou de ter um Acidente Isquémico Transitório. Nestes casos o melhor é não ignorar pois o risco de ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é muito elevado.

O que acontece nestes casos para que aconteça um destes sintomas? Dá-se a oclusão de uma artéria, que é impedida de irrigar uma determinada área do cérebro. Percebemos assim, pelos indícios, que zona do cérebro foi afetada. O AVC acontece da mesma forma, mas é agudo, ou seja, os sintomas permanecem. 

Vários fatores de risco podem dar origem a um AVC. Manuel Correia, do serviço de neurologia do Hospital de Santo António explica-nos cada um deles: "hipertensão arterial – a pressão sanguínea muito alta danifica as artérias; a diabetes – as alterações metabólicas desta doença (níveis de açúcar muito elevados) vão lesionar a parede das artérias, provocando múltiplas complicações; o colesterol elevado também é responsável por este tipo de lesões; o tabaco – faz com que pequenas artérias ocluam e a longo prazo pode ser perigoso." O especialista acrescenta ainda que a falta de exercício físico é um outro fator, pois não estimula o cérebro, estando relacionado com a obesidade e o sedentarismo. Contactado também pelo Ciência 2.0, Gustavo Santo, coordenador da Unidade de AVC, do Hospital da Universidade de Coimbra, salienta que "o facto de uma pessoa já ter tido um AVC é um fator de risco para ter um outro." 

A oclusão nas artérias no caso de um AVC pode ter origem, por exemplo, numa arritmia cardíaca, isto é, há a formação de um coágulo, que vai impedir o sangue de circular na artéria, ou pelas placas de aterosclerose [ver glossário] que vão aumentando até a entupirem.

Quanto à toma de métodos anticoncecionais orais, os casos de trombose venosa cerebral a ela associados são muito raros, segundo os especialistas. “É claro que se torna perigoso se a mulher toma a pílula, fuma e tem hipertensão”, alertam. 

Mas a Doença Vascular Cerebral, dentro da qual se inclui o AVC, [ver recursos] não atinge apenas os mais velhos. Há também pessoas com 30 ou 40 anos a sofrer estes problemas. “Nos jovens temos de procurar outras causas, para além das causas normais. Temos de procurar causas raras, como doenças infeciosas, pois as artérias podem-se inflamar devido a um vírus”, explica Manuel Correia. "Estas causas nem sempre são identificáveis", reforça, por sua vez, o neurologista do Hospital da Universidade de Coimbra. 

Importância da ação rápida

Para cada tipo de AVC, existem tratamentos específicos, mas uma coisa é certa: tem de ser rápido. Manuel Correia explica uma das razões para a rapidez na intervenção: “Os neurónios precisam de oxigénio e nutrientes. Se há uma oclusão numa artéria que impede a circulação sanguínea, quanto mais o tempo passa mais neurónios morrem”. Há tratamentos que também só podem ser feitos nas primeiras horas. Em alguns casos, a reabilitação pode ter um importante papel, pois estimula o cérebro.

Toda a problemática do Acidente Vascular Cerebral tem sido alvo de investigação científica. Porém, há diversos estudos que ainda precisam ser feitos. “A doença vascular cerebral e os acidentes vasculares cerebrais são um excelente modelo para estudar o cérebro. É um modelo excecional para se estudar como é que ele se adapta a uma lesão”, exemplifica o neurologista Manuel Correia. “Falta ainda estudar qual é a verdadeira influência de cada um dos fatores de risco sobre o AVC, qual a melhor organização dos serviços de saúde para tratar os acidentes vasculares cerebrais, quais os medicamentos novos que se podem investigar para tratar melhor Acidente Vascular Cerebral e saber se existem medicamentos que podem proteger o cérebro, que sejam neuroprotetores”, adianta. 

Apesar de ser uma das principais causas de morte em Portugal, a incidência do AVC tem diminuído ao longo da última década, de acordo com um estudo recente liderado por Manuel Correia. A existência da Via Verde do AVC e de Unidades de AVC poderão ser as razões por detrás deste decréscimo.

 

Glossário:

Aterosclerose – Doença na qual se verifica um espessamento e perda de elasticidade da parede arterial. Neste caso a substância gorda acumula-se por baixo do revestimento interno da parede arterial.

 

Este artigo deu origem a uma pergunta no quiz de ciência LabQuiz, um divertido jogo desenvolvido pelo Ciência 2.0 para Android e iOS.
Disponível na Google Play:
https://play.google.com/store/apps/details?id=air.ciencia20.up.pt.quiz

Disponível no iTunes:

https://itunes.apple.com/WebObjects/MZStore.woa/wa/viewSoftware?id=937234713&mt=8

 

 

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