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© Catarina Costa
Artigo
Publicado em 22/3/2012 por Renata Silva

Cancro. Pode dizer-se que é das doenças mais temidas e que leva muitos investigadores a uma constante procura por novas formas de travar o crescimento de tumores, de o eliminar e de proporcionar um melhor tratamento a quem tem este problema de saúde.

O trabalho do investigador português Gonçalo Bernardes, publicado na revista Angewandte Chemie, é exemplo disso mesmo. Juntamente com a sua equipa criou um anticorpo que funciona quase como se de um correio de droga se tratasse, isto é, ele vai transportar uma substância (o cematodin, que é altamente tóxico) até aos vasos sanguíneos que circundam o tumor. E aí está a novidade da investigação. É que estes anticorpos são específicos para receptores presentes apenas neste local. 

Quando chega ao seu destino, essa droga é libertada através de um estímulo químico, exercendo uma função terapêutica. A formação destes vasos sanguíneos fornece nutrientes ao tumor. Vai ser neste local que a substância vai atuar, evitando que o tumor se alimente. Assim, elimina as células cancerígenas.

Gonçalo Bernardes explicou ainda ao Ciência 2.0 um dos fatores mais importantes e diferenciadores nesta investigação: “Estas drogas conjugadas com anticorpos podem ser virtualmente usadas para o tratamento de qualquer tipo de tumor sólido. A formação de vasos sanguíneos é uma característica comum a todos os tumores” 

“Os mecanismos de resistência do tumor vão ser muito menores, neste local, do que no caso dos anticorpos específicos para receptores que estão na superfície das células cancerígenas, pois estas podem estar em constante mutação”, acrescentou o investigador que trabalha em Zurique há cerca de dois anos. Esta constante mudança nas células faz com que os anticorpos a elas digiridos não se consigam encaixar nos respetivos receptores e exercer o seu efeito. [ver glossário]

 

Uma terapia menos dolorosa

“Existe uma esperança em se conseguir um tratamento alternativo mais específico, mais eficiente e menos doloroso para quem tem cancro”, concretiza. Seria, portanto, uma alternativa à quimioterapia. Nesta, o que acontece é que a droga usada não distingue as células saudáveis das células cancerígenas, limitando a quantidade que é possível utilizar e prejudicando a eficácia do tratamento. O facto de a substância conjugada com o anticorpo ser libertada apenas nas imediações do tumor, exercendo os seus efeitos unicamente nesse local, aumenta a probabilidade de melhores resultados em relação à quimioterapia.

A investigação, feita com base em testes com ratinhos, trouxe como resultados um efeito terapêutico, em que são suprimidas as células cancerígenas. Contudo, são necessárias mais investigações, dado que o cancro não é eliminado.

Próximos passos? “Queremos modificar a droga tornando-a mais potente, para que tenha uma capacidade mais forte para matar as células tumorais, testá-la em ratinhos e ver qual é a reação em diferentes tipos de tumor. Com esta conjugação de droga e tipo de anticorpos, pensamos que talvez possamos chegar a efeitos terapêuticos superiores aos que conseguimos ter com o modelo atual”, responde Gonçalo Bernardes.

Glossário:

 

Anticorpos: São glicoproteínas, produzidas pelo nosso organismo, derivadas de linfócitos B (ou células B – fazem parte do sistema imunitário) que atacam os antígenos que causam doenças. Os antígenos são, por sua vez, bactérias, fungos, entre outros. É como um puzzle, o anticorpo vai encaixar no respectivo antígeno. Uma das principais funções de um anticorpo é a destruição celular.

 

Foto: Catarina Costa

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