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© Diana Marques
Artigo
Publicado em 22/3/2012 por Renata Silva

Afeta maioritariamente mulheres a partir dos 50 anos e é dos cancros mais letais. Falamos do cancro do ovário, onde alguma investigação tem sido feita ao longo dos anos com o objetivo de tornar mais eficaz o tratamento de quem tem esta doença. 

Uma equipa do IPO do Porto tem vindo a estudar uma molécula inflamatória, a interleucina-8 [ver glossário], responsável pela formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor. Ela é produzida por todos nós, em maior ou menor quantidade. No caso do cancro do ovário, torna-se perigosa.

O estudo desta molécula passa por compreender o impacto da sua produção, que varia de pessoa para pessoa, no tratamento da doença e na resposta às terapias. “Sabemos que níveis mais elevados de interleucina-8 estão associados a tumores mais agressivos”, explicou ao Ciência 2.0, Dânia Marques, a autora principal da investigação que mereceu a distinção do Prémio Sanofi 2011.

Para além de potenciar o crescimento do tumor e dos vasos que o alimentam, pode dar origem a metástases, ou seja, a situações em que este consegue passar através dos vasos sanguíneos para outras partes do corpo.

O cancro do ovário é uma doença pouco estudada. É perigosa, pois é silenciosa e é detetada, muitas das vezes, em fases tardias. Pode comprometer, na maioria dos casos, a fertilidade, já que a solução passa por uma cirurgia onde é removido todo o sistema reprodutor, para que se elimine qualquer vestígio do tumor.

Medicamentos testados para travar o crescimento do tumor

Trata-se de uma investigação baseada na recolha de amostras sanguíneas que remontam a 1995, que se diferencia pela adequação de tratamentos ao perfil genético de cada paciente.

No IPO do Porto decorrem ensaios clínicos em que fármacos compostos por antiangiogénicos, isto é, medicamentos que controlam a formação de novos vasos sanguíneos e evitam o crescimento do tumor, são administrados. As doses serão ajustadas de acordo com as características de cada pessoa. “Os resultados estão a ser muito animadores”, revela a jovem investigadora de 31 anos, que tem uma especialização na área de Oncologia. “Temos esperança de que sejam aprovados brevemente para uso geral”, acrescenta.

Estes medicamentos têm ainda outra vantagem: facilitam o tratamento por quimioterapia, ao qual a interleucina-8 apresenta resistência. Esta terapia “consegue assim, entrar mais facilmente no tumor e atingir as células”, explica.

 

Glossário:

Interleucina-8 : é uma molécula que é secretada por vários tipos de células, incluindo os leufócitos T, em resposta a estímulos inflamatórios. Promovem a angiogénese [ver em baixo] até ao foco infecioso.

Angiogénese: Processo de formação de novos vasos sanguíneos 

Ilustração: Diana Marques

 

Este artigo deu origem a uma pergunta no quiz de ciência LabQuiz, um divertido jogo desenvolvido pelo Ciência 2.0 para Android e iOS.
Disponível na Google Play:
https://play.google.com/store/apps/details?id=air.ciencia20.up.pt.quiz

Disponível no iTunes:

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Dânia Marques

O que fizeram os autores deste estudo?

Dânia Marques

Como funciona a interleucina-8?

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