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© Susana Pereira
Artigo
Publicado em 22/3/2012 por Renata Silva

Não é uma doença muito falada e é necessária mais informação. Por isso, o Ciência 2.0 faz-lhe um raio X. Deolinda Pereira, oncologista na área do cancro ginecológico e diretora do Hospital de Dia do IPO do Porto, respondeu às nossas questões.

Características e dados

“Cerca de 75 por cento dos casos quando são diagnosticados já o tumor ultrapassou toda a área do ovário e já atingiu toda a cavidade abdominal, até à superfície do diafragma”.

“É um tumor que cresce silenciosamente, porque o ovário é um órgão pequeno. As células tumorais começam a atingir a cápsula do ovário e vão-se espalhando, de acordo com mecanismos de pressão dentro da cavidade abdominal (o simples facto de respirarmos provoca esta pressão."

Sabemos atualmente que uma molécula inflamatória, a interleucina-8, tem influência no crescimento do tumor.

O cancro do ovário atinge maioritariamente mulheres com idades superiores a 50 anos. Mas também afeta jovens [ler exemplo em baixo].

“É um cancro com um impacto psicológico muito grande. Porquê? Quando um médico ginecológico diz a uma doente que quer ter filhos, que tem um tumor que na maioria das situações implica uma cirurgia que põe em risco a sua fertilidade, é uma situação muito complicada."

Quais os sintomas?

“Aumento do volume abdominal, alterações dos hábitos intestinais (dá compressão intestinal), dor pélvica (porque pode estar a comprimir algum órgão importante) ou massa ovárica suspeita detetada pelo médico num exame ginecológico de rotina"

A médica Deolinda Pereira aconselha a realização de exames de despiste, principalmente a quem tem antecendentes familiares com cancro do ovário ou da mama. Esta doença pode ter origem hereditária. Assim, através de uma amostra de sangue, é possível saber se há uma mutação genética, que faz com que determinada pessoa tenha mais probablidades de ficar com esse problema. 

Quais os principais tratamentos?

“No cancro do ovário é sempre necessário uma cirurgia radical. A primeira abordagem é quase sempre cirúrgica”.

“Desde 2010, é possível [o tratamento] se o ginecologista verificar que o tumor não pode ser retirado na sua totalidade. Nesses casos podemos iniciar o tratamento com quimioterapia antes da cirurgia e fazemos de três a quatro ciclos”.

“A abordagem cirúrgica deve ser feita em centros de referência, mas tem que, obrigatoriamente, ser feita por oncologistas ginecológicos com experiência em cirurgia no cancro do ovário. O médico e a equipa que faz a cirurgia têm influência no prognóstico e na evolução. É uma cirurgia muito radical e muito extensa”.

“Retira-se uma massa do ovário para ser analisada. Se o tumor for benigno, retira-se a massa do ovário afetada ou até parte do ovário. Se for maligno, aí temos duas situações: uma mulher jovem a quem temos  a necessidade de preservar a fertilidade (é sempre discutido com a doente) – vemos como está o útero e tentamos manter o útero e um ovário – quando cumpre o desejo da maternidade, devemos avançar e completar a cirurgia ou - o que acontece na maioria das situações - fazer uma cirurgia radical, porque já estão os dois ovários envolvidos por massas tumorais".

Como prevenir?

“No caso das jovens, devem fazer o seu exame ginecológico antes de iniciar a sua vida sexual para ver se houve alguma alteração. Para podermos atuar corretamente. Quando há algum sintoma fora do normal, procurar o médico de família ou o ginecologista.”

Viver e sobreviver ao cancro do ovário – Não é missão impossível

“Às vezes só precisamos de ouvir uma anedota”. Sara Sarmento, 23 anos, descobriu que tinha cancro do ovário aos 16. Como na maioria dos casos, teve de ser submetida a uma cirurgia radical. Defende que não se deve dramatizar nestes casos, nem oferecer um ombro para chorar. Mas sim, fazer rir, distrair a pessoa. “Custa lidar com a pessoa que acha que é uma doença horrível e que temos de estar muito mal” 

“Tinha muitas dores de barriga e fui às urgências. Os médicos mandaram-me para casa. Continuava com dores e fui à minha ginecologista e foi aí que soube”. Contou Lígia, 32 anos. Teve de ser submetida, em 2011, a uma cirurgia, também ela completa. Era o melhor a fazer pela sua saúde. Os médicos que a consultaram acharam que não era preciso fazer a cirurgia tão rápido. Mas era urgente (o tumor era maligno).

Glossário:

 

Dor pélvica: Dores (principalmente ou apenas) na área do abdómen inferior.

 

Quimioterapia: Tratamento de doenças através da administração de substâncias químicas sintetizadas, preparadas em laboratório. O objetivo é atuar nas células dos tumores, visando destruí-las.

 

Importante compreender: “Na realidade, estes medicamentos atuam sobre todas as células do organismo em processo de divisão, mas tornam-se especialmente tóxicos sobre as células tumorais malignas que se multiplicam com maior rapidez do que as normais. No entanto, a sua ação também tem efeitos sobre as células saudáveis que se reproduzem igualmente com muita rapidez, como é o caso das epiteliais e mucosas ou as da medula óssea, circunstância que explica as reações adversas provocadas por esta terapêutica” [Informação retirada do site Mediapédia]

                            

                                                                         Foto: Susana Pereira

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