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 © Jacinto Policarpo
Artigo
Publicado em 15/10/2013 por Renata Silva

Chama-se Jacinto Policarpo e há 5 anos que deixa a fotografia da natureza, sobretudo a de paisagem, preencher o espaço que faltava na sua vida. Professor de Educação Física, procura mostrar, no tempo livre, o que há de mais belo na natureza, numa área que, aponta, é "parente pobre" da cultura em Portugal. A paixão, contudo, sobrepõe-se muitas vezes à dificuldade. 

Quando e como descobriu a sua paixão por fotografar a natureza?

Recordo-me que desde pequeno sempre gostei de ver documentários da National Geographic e de ouvir as histórias e as fotos que o meu pai trazia das suas viagens de trabalho a África. Os grandes embondeiros e acácias com o “sol africano” sempre me ficaram na retina depois de revelados os negativos que o meu pai trazia. O “gosto” andava por cá. Ainda antes de me dedicar à fotografia, durante algum tempo andei inclinado para outro tipo de arte - a pintura. No entanto, não me sentia completamente preenchido.

Em meados de 2008 e com a compra da minha primeira DSLR (Canon 400D), comecei então a dar os primeiros passos na fotografia, direcionando-me sobretudo para a fotografia de paisagem (como acontecia na pintura).

Quais as maiores dificuldades que enfrentou enquanto fotógrafo da natureza?

Creio que, em Portugal, a fotografia (concretamente a de natureza) continua a ser um parente pobre da “cultura”. Sendo pouco vendável e pouco procurada, muitas vezes são criados numerosos entraves na concretização de alguns projetos.

Qual foi a foto mais difícil de conseguir? São necessárias quantas horas para conseguir uma boa foto?

Por vezes a dificuldade pode ser relativa. Quando se está muito tempo no campo e se “perdem” muitas horas a investigar locais, espécies, etc, podemos ter sorte e, por fruto do acaso, darmos de caras com uma situação digna de registo (quer seja na fotografia de paisagem, quer na de vida animal). Por outro lado, as 24h de um dia de espera num abrigo podem não ser suficientes.

O que lhe dá mais prazer fotografar? Há alguma zona do país que privilegie?

Tenho tentado progredir em duas áreas da fotografia de natureza, a de paisagem e a de vida animal. Em termos de gosto pessoal ou prazer não consigo notabilizar uma em relação à outra. Por uma questão económica tento fotografar sempre mais perto de casa, sendo nestes locais que desenvolvo a maior parte das minhas ideias e projetos fotográficos.

Que conselhos dá a futuros fotógrafos da natureza?

Ler, estudar, observar e praticar. Ser criativo e insistir em melhorar mesmo quando tudo corre bem. Li um artigo de um grande fotógrafo de paisagem australiano, onde o mesmo mencionava que a melhor ferramenta para um fotógrafo de paisagem/natureza é um relógio despertador...

Pode contar-nos alguma história engraçada ou peripécia que tenha acontecido enquanto fotografava?

Num final de tarde em novembro de 2012, passei num local onde já havia fotografado várias vezes nos últimos meses para observar novidades numa barragem, tendo avistado ao longe uma ave escura e diferente do que geralmente via por lá. O que observava através dos binóculos não me permitia ter uma ideia concreta do que seria. Tentei então uma aproximação a pé para confirmar o que poderia ser.

Naquele local, apesar de relativamente pouco provável, vi efetivamente do que se tratava, uma cegonha preta (Ciconia nigra). Pura sorte! No outro dia de manhã, por volta das 6h15 e com uma temperatura “amena” de -7ºC, entrei na água com o meu hidrohide (abrigo flutuante) e dirigi-me para o local onde a tinha observado na noite anterior. E a cegonha ainda estava por lá! Fotografei o meu objetivo deste dia com a luz mágica do nascer do sol. Muito trabalho? Sorte? Como muitas vezes me diz um bom amigo e colega fotógrafo, obsessão. O grande problema é não correr assim todas as vezes...

Qual é, para si, a importância de um fotógrafo da natureza no panorama geral da ciência?

Acima de tudo creio que a fotografia de natureza tem um papel muito importante na divulgação da beleza natural e dos seres vivos que nos rodeiam. Muitas vezes o primeiro contacto com uma espécie ou um local é através de uma imagem. Nada como ilustrar um texto sobre algo com uma boa imagem desse assunto.

Que projetos tem para o futuro? O que ainda lhe falta fotografar?

Como não exerço a fotografia de natureza profissionalmente, muitas vezes a falta de tempo é impeditiva para ir um pouco mais além, limitando por vezes alguns projetos que tenho em mente. Em relação ao que me falta fotografar a resposta é muito precisa: tudo! Tenho várias situações que pretendo melhorar, outras que ainda tenho que fazer de raiz. Há muito por onde trabalhar e a vontade não falta!

 

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Foto: Alentejo - Vendas Novas

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