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Artigo
Publicado em 20/11/2013 por Cláudia Azevedo

Todos conhecemos crianças que não estão quietas, que falam pelos cotovelos, que não conseguem esperar pela sua vez – até dizemos que têm pilhas ou que estão ligadas à corrente – e crianças que parecem estar sempre “com a cabeça nas nuvens”, que perdem constantemente objetos e que se esquecem com frequência do que têm para fazer.

Alguns desvalorizam, dizendo que, quando as crianças estão muito paradas, é sinal de que estão doentes. Outros não hesitam em “meter” um comportamento menos próprio – como não respeitar regras em casa ou ter problemas de aprendizagem na escola – no “pacote” da hiperatividade. Segundo Octávio Moura, não é assim tão linear.

Como explica o psicólogo, a Perturbação da Hiperatividade com Défice de Atenção (PDHA) é uma perturbação disruptiva do comportamento associada a alterações neuroquímicas do córtex cerebral que ocorre predominantemente na infância e adolescência, encontrando-se descrita no DSM-IV-TR, um manual de diagnóstico das perturbações mentais que é uma referência para médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde.

Quanto à prevalência, calcula-se que esta perturbação afete entre 3 a 7% das crianças e adolescentes, com maior prevalência nos rapazes (proporção de 2:1 a 9:1). Em função das características sintomatológicas que a criança apresenta a PHDA pode dividir-se em três subtipos: hiperativo-impulsivo, desatento e misto, sendo esta última a forma mais grave. Embora o défice de atenção seja também mais prevalente no género masculino, é o subtipo que é mais frequente no género feminino.

Os sintomas variam de frequência e intensidade consoante o subtipo: a agitação motora e a impulsividade correspondem ao subtipo predominantemente hiperativo-impulsivo, enquanto a desatenção, o esquecimento e a distração fácil perante estímulos irrelevantes são claramente do subtipo predominantemente desatento. O subtipo misto, como o nome indica, combina critérios do primeiro e do segundo subtipo.

A avaliação clínica da PHDA contempla a administração de questionários e checklists a pais e professores, a observação direta do comportamento que a criança exibe, a aplicação de provas neuropsicológicas e avaliações complementares.

Os falsos positivos

Se há sobrediagnóstico, isto é, falsos positivos, de casos de PHDA que não deviam ser diagnosticados como tal? Octávio Moura refere que esta situação é possível de ocorrer sobretudo quando não é efetuada uma cuidada avaliação diferencial.

Por exemplo, alguns comportamentos disfuncionais que resultam de alterações emocionais, familiares, educativas, etc. podem ser erradamente associados à PHDA. Mas o contrário também pode ocorrer (falsos negativos), isto é, crianças com PHDA que nunca chegam a ser diagnosticados.

O psicólogo acredita que algumas situações rotuladas pura e simplesmente como mau comportamento poderão mascarar uma PHDA. No entanto, uma criança mal comportada não é necessariamente uma criança com PHDA.

“Geração metilfenidato”

As causas das PHDA ainda não são totalmente conhecidas, especulando-se sobre a influência de determinados alimentos ou substâncias que lhes são artificialmente adicionadas, tais como açúcares, corantes e conservantes. Sabe-se, contudo, que há fatores de risco, como o uso de determinadas toxinas pela mãe durante a gestação, baixo peso à nascença da criança, nascimento por parto prematuro, entre outras.

Há ainda evidência de alterações neuropsicológicas e neuroquímicas ao nível do córtex cerebral (pré-frontal), designadamente uma menor concentração sináptica da dopamina, um neurotransmissor, normalmente associado a mecanismos de prazer e recompensa.

Daí que o tratamento farmacológico, ao contrário do que se pensa, não consista em calmantes, mas sim em psicoestimulantes, designadamente o metilfenidato. Octávio Moura reconhece que este medicamento, como qualquer outro, pode conduzir a alguns efeitos secundários.

Mas o tratamento, explica o especialista, não é apenas farmacológico, deverá igualmente incluir uma intervenção psicoterapêutica (cognitivo-comportamental) e psicossocial.

 

Foto: Flickr/92803345@N00>

  

 

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