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Artigo
Publicado em 9/12/2013 por Cláudia Azevedo

Sabe o que é um olho preguiçoso? Tem noção das lesões permanentes que pode provocar no córtex cerebral? Por isso é tão importante que as crianças sejam vigiadas. O ideal é que a primeira consulta de oftalmologia se realize antes dos 4 anos de idade.

A ambliopia, vulgarmente conhecida como “olho preguiçoso”, é uma diminuição da acuidade visual que pode ser de um ou de ambos os olhos devida à falta de estimulação do córtex visual durante um período crítico (desde o nascimento até aos dois anos), sem que haja patologia ocular evidente.

O estrabismo é uma das causas mais frequentes de ambliopia, sendo normalmente detetado numa fase precoce pelos pais e pelos pediatras devido ao evidente desalinhamento dos dois olhos.

“O cérebro, como não consegue fundir as imagens, vai suprimir uma delas, habitualmente a imagem do olho não dominante”, diz Paula Tenedório, médica oftalmologista da Unidade Local de Saúde de Matosinhos.

Assim, é preciso corrigir a ambliopia. Como? “Temos de tapar o olho que vê bem para ‘puxar’ pelo olho preguiçoso”, simplifica.

A ambliopia também por ser de causa refrativa, isto é, "pode ser causada por uma diferença de graduação entre os olhos. Por exemplo, uma criança que tem um astigmatismo elevado num dos olhos e o outro está emétrope (sem graduação)". Acontece, aqui, o mesmo fenómeno do estrabismo. O cérebro vai receber duas imagens, uma nítida e outra não, e não consegue fundi-las, ficando com uma imagem só. Para evitar o desconforto e a diplopia (visão dupla), o cérebro suprime a imagem que está desfocada, aquela que foi enviada pelo olho preguiçoso.

Outro tipo de ambliopia é a ambliopia de privação da visão, devida a um estímulo visual insuficiente por alterações do olho que ocorrem ao nascimento ou nos primeiros meses de vida, como por exemplo, as cataratas congénitas. Nestes casos há uma privação da estimulação visual a nível do córtex cerebral pela existência de uma “barreira” à entrada dos raios luminosos, impedindo que se forme uma imagem normal. A solução é operar muito precocemente para que o cérebro possa ser estimulado adequadamente. Estes são casos mais raros e constituem uma urgência oftalmológica.

Sabe-se que as células do córtex visual começam a desenvolver a sua capacidade de interpretação das mensagens enviadas pela retina desde o nascimento, através da exposição dos olhos a estímulos visuais, que não apenas luz, mas imagens com padrões e contornos. Se um olho é tapado nesta fase precoce da vida, ainda que apenas durante uns dias, podem ocorrer alterações funcionais permanentes naquela zona do cérebro. Ou seja, aquilo que vemos em fases muito precoces da nossa existência influencia a forma como o nosso cérebro percebe o mundo.

Graças a estas descobertas relativas ao processamento da informação no sistema visual, Torsten Nils Wiesel e David H. Hubel ganharam o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 1981. “Eles demonstraram que, se não houvesse estimulação visual, isso levava a lesões irreversíveis a nível do córtex cerebral”, resume.

Tratamento: dos óculos às oclusões

A diminuição da acuidade visual por ambliopia não é unicamente corrigida por óculos ou cirurgia, como é, por exemplo, a diminuição da visão por cataratas no adulto. Isto porque há lesões cerebrais irreversíveis que não deixam o olho ver.

“Por isso é muito importante que as crianças sejam vigiadas. A vigilância precoce é hoje preconizada. Penso que os nossos pediatras estão hoje mais sensibilizados, enviam-nos os doentes antes da entrada na escola e fazem um seguimento muito rigoroso”, continua. O ideal é que a primeira consulta de oftalmologia se realize antes dos 4 anos de idade.

A primeira abordagem é perceber se a criança precisa de usar óculos. Se tiver graduação (a mais frequente é hipermetropia), esta terá de ser prescrita antes da correção da ambliopia. Após a correção do erro refrativo é que passamos ao tratamento da ambliopia.

O tratamento mais eficaz da ambliopia é a oclusão, que consiste em colocar um penso no “melhor olho” e provocar uma estimulação visual mais intensa do “olho preguiçoso”, de modo a tentar que haja uma recuperação, se possível, a 100%. Quanto mais precoce for o tratamento e mais nova for a criança, mais rápida será a recuperação. É importante iniciar a vigilância numa fase precoce, durante o período crítico do desenvolvimento visual, para que o tratamento possa recuperar a totalidade da capacidade de visão da criança.

O sucesso do tratamento depende da idade da criança, mas também da gravidade da ambliopia. Se a ambliopia for grave, com uma acuidade visual muito reduzida, mais prolongado terá de ser o tratamento e mais difícil será reverte-la.

No tratamento da ambliopia, continua, "temos de ter uma vigilância muito apertada para impedir a ambliopia em báscula. A ambliopia em báscula é consequência do tratamento da ambliopia e o que acontece é o aparecimento de ambliopia no olho bom. Surge devido a oclusões prolongadas do olho não amblíope devido à falta de estimulação visual deste olho".

O êxito do tratamento desta patologia oftalmológica requer uma grande colaboração e empenho dos pais, educadores e de quem cuida da criança, no correto cumprimento do tratamento prescrito pelo médico oftalmologista. Esta terapêutica vai ser prolongada (até aos 10-12 anos) e como tal pressupõe uma estreita relação entre o médico oftalmologista e a família.

Foto: Cortesia de www.drpatch.ca

 

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