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Artigo
Publicado em 16/12/2014 por Isabel Pereira

Um grupo de investigadores estabeleceu uma Rede Global de Idiomas. A equipa percebeu que o lugar de cada língua nesta rede de interações é decisivo para a popularidade dos seus falantes. Um físico português esteve envolvido na investigação publicada esta segunda-feira na “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

O trabalho demonstrou que a fama de uma pessoa está mais relacionada com a posição do seu idioma nesta rede global do que com o poder económico do seu país. Como língua mais influente, destaca-se o inglês, seguido do espanhol, do alemão, do francês, do russo, do português e do chinês.

“Apesar de existirem milhares de idiomas no mundo, conseguimos comunicar uns com os outros globalmente. A Rede Global de Idiomas proporciona uma visão de como as diversas línguas se influenciam mutuamente e de quais os caminhos que a informação em determinada língua precorre”, esclarece ao Ciência 2.0 Bruno Gonçalves, investigador português ligado atualmente à Universidade de Aix-Marseille.

O estudo, que resultou de uma colaboração entre as universidades francesas de Aix-Marseille e Toulon e as universidades norteamericanas de Northeastern e Harvard, teve como base uma recolha massiva de dados sobre o idioma de publicações no Twitter e na Wikipedia, e de livros traduzidos em várias línguas. 

Português ocupa “uma posição intermédia”

Usando técnicas provenientes da física de sistemas complexos, da estatística e da ciência de computadores, os investigadores fizeram “uma análise estatística rigorosa, para extrair não só as diversas ligações entre idiomas, como também qual a sua significância estatística”. Depois, correlacionaram “a fama de diversos indivíduos notáveis com a posição do seu idioma principal nesta rede”, explica.

“O português é uma língua intermédia”, refere Bruno Gonçalves. “Apesar de estar difundido pelo mundo e ter ligações a línguas muito diversas tanto geograficamente, como do ponto de vista linguístico, o português não tem a mesma importância global que uma língua como o inglês, atualmente, ou o francês em décadas passadas”.

Este é o mais recente de três artigos do mesmo programa de investigação das linguagens. No primeiro a equipa observou a “distribuição geográfica de cada língua, e no segundo estudou em detalhe o espanhol, definindo, empiricamente, dialetos regionais relacionados com a história colonial espanhola”, contextualiza o físico português.

Em relação à Rede Global de Idiomas, os investigadores pretendem, agora, validar os resultados com outros conjuntos de dados e identificar diferentes fatores que influenciam a difusão de informação. Bruno Gonçalves, particularmente, tem como objetivo para próximos trabalhos “olhar em detalhe a questão do bi e multilingualismo, percebendo como se alterna entre uma língua e outra e de que forma interagem as comunidades linguísticas”.

Imagem: language.media.mit.edu

Na imagem: Gráfico da rede de idiomas na Wikipedia

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